Museu decide retirar múmias de exposição por não ter 'consentimento' dos mortos
Kelvingrove Art Gallery and Museum passou a retirar as múmias de suas mostras em meio a novas diretrizes sobre a exibição de pessoas mortas
Por Alessan Silva · 2 min de leitura
Visitantes do Kelvingrove Art Gallery and Museum passaram a encontrar avisos informando que os restos humanos foram removidos “como um sinal de respeito”. Segundo a organização, a decisão reflete mudanças nas práticas museológicas contemporâneas e também está relacionada ao Código de Ética revisado do Conselho Internacional de Museus, publicado em junho de 2026.
De acordo com um porta-voz da Glasgow Life, o documento estabelece que museus devem preservar a dignidade dos restos humanos e respeitar seu significado. A organização também elaborou uma política própria segundo a qual restos humanos só devem ser expostos quando houver consentimento documentado e esclarecido da pessoa falecida ou, em circunstâncias consideradas apropriadas, de seus descendentes.
Retirada das múmias
Na ausência desse consentimento, a Glasgow Life considera mais respeitoso retirar da exposição os restos humanos do antigo Egito. A instituição informou que pretende avaliar e remover outros restos mortais considerados problemáticos tanto do Kelvingrove quanto do Museu St. Mungo de Arte e Vida Religiosa.
A decisão, entretanto, provocou críticas. Visitantes que esperavam encontrar as múmias nas galerias demonstraram frustração nas redes sociais. Um deles relatou ter levado a filha ao Kelvingrove justamente para que ela pudesse conhecer uma múmia depois de demonstrar interesse por antigos egípcios. No lugar do corpo, encontrou apenas o aviso sobre a remoção.
Outros usuários ironizaram a justificativa da instituição, questionando se manter os restos humanos em um depósito seria realmente uma demonstração de respeito.
A medida também foi criticada por Murdo Fraser, porta-voz de Cultura do Partido Conservador escocês. O político classificou a decisão como um exemplo de uma cultura do “politicamente correto” que teria ultrapassado os limites.
A mudança ocorre em meio a um debate internacional sobre os critérios éticos para exposição de restos humanos em museus, especialmente quando se trata de indivíduos que viveram milhares de anos atrás e cujas próprias vontades não podem ser conhecidas. Para a Glasgow Life, a ausência de consentimento deve pesar na decisão sobre manter esses restos em exibição pública.
Fonte: Aventuras na História