A frase mais longa já dita por um chimpanzé: o que o animal que "falava" realmente quis dizer?
A história por trás da maior e mais repetitiva sequência de sinais registrada por um primata
Por Alessan Silva · 2 min de leitura
O ápice do experimento aconteceu quando Nim juntou uma sequência impressionante de 16 sinais consecutivos. O registro original em inglês dizia exatamente isto:
“Give orange me, give eat orange me. Me eat orange, give orange me, give eat orange me. Give me, give you.”
No Brasil, uma das traduções mais populares que circula na internet adapta esses gestos em uma construção direta:
“Me dê laranja. Eu dar comer laranja para mim comer laranja. Dê para eu comer. Dar laranja eu você.”
Grande em tamanho, curta em significado
Embora a extensão da declaração tenha impressionado o público na época, a comunidade científica logo acendeu o sinal de alerta. Ao analisar as gravações em câmera lenta, o próprio coordenador do projeto, Herbert Terrace, percebeu que a estrutura não passava de uma ilusão de inteligência gramatical.
Diferente dos humanos, que aumentam suas frases para adicionar novas informações e contextos, Nim apenas acumulava palavras de forma redundante e aleatória. O foco do chimpanzé não era conversar de forma espontânea, mas sim insistir exaustivamente até que o seu treinador lhe entregasse o pedaço de fruta.
O veredito da ciência
Esse famoso registro de 16 palavras acabou servindo de argumento para o lado oposto do experimento. Ela provou que, embora primatas consigam memorizar gestos e associá-los a recompensas imediatas (como comida), eles não têm a capacidade inata de criar sintaxe ou estruturar pensamentos complexos através da linguagem humana. Nim quebrou o recorde de tamanho, mas revelou que sua "fala" era apenas uma imitação condicionada.