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Imagem: kuritafsheen77/Freepik
Sangue de cobra píton pode conter substâncias anti-obesidade
Substância ligada ao metabolismo das cobras píton reduziu o apetite e o peso de camundongos, indicando alternativas aos atuais medicamentos
Por Alessan Silva
24 de Março de 2026 às 06:56
Um estudo recente trouxe à tona uma descoberta curiosa e potencialmente revolucionária: uma molécula presente no sangue de cobras píton pode ajudar a desenvolver novos tratamentos contra a obesidade. A pesquisa parte de uma característica impressionante desses animais: sua capacidade de ingerir grandes presas e passar meses, ou até mais de um ano, sem voltar a se alimentar.
Cientistas que investigavam o metabolismo dessas cobras identificaram mais de 200 substâncias que aumentam no sangue após a alimentação. Entre elas, uma chamou atenção especial: uma molécula conhecida como pTOS, que apresentou um aumento superior a mil vezes depois da refeição.
O Metabolismo Essa substância, produzida por bactérias no intestino das pítons, parece desempenhar um papel central na forma como o organismo desses animais regula o apetite e o consumo energético. Curiosamente, ela também já foi detectada — em níveis muito mais baixos — na urina de seres humanos, o que abre espaço para investigações sobre sua aplicação clínica.
Para testar seus efeitos, os pesquisadores administraram pTOS em camundongos obesos. O resultado foi significativo: os animais passaram a comer menos e perderam cerca de 9% do peso corporal em apenas 28 dias, sem alterações relevantes no gasto energético ou no tamanho de órgãos.
O funcionamento da molécula parece diferir dos medicamentos mais populares atualmente, como os baseados em GLP-1. Esses remédios, como o Wegovy, atuam principalmente retardando o esvaziamento do estômago, o que prolonga a sensação de saciedade — mas também pode causar efeitos colaterais como náuseas e desconforto gastrointestinal.
Já a pTOS atua diretamente no cérebro, mais especificamente no hipotálamo — região responsável por regular a fome. Esse mecanismo pode representar uma abordagem mais direta e, possivelmente, com menos efeitos adversos.
Apesar do entusiasmo, os próprios pesquisadores alertam que ainda há um longo caminho até a aplicação em humanos. Estudos clínicos serão necessários para confirmar a eficácia e a segurança da molécula em pessoas.
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