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Blogs→RAPIDINHA VOX→Manuela Dias revela por que não matou Odete Roitman em “Vale Tudo”
Imagem: Globo/Rudy Huhold

Manuela Dias revela por que não matou Odete Roitman em “Vale Tudo”

A autora do remake alterou o desfecho da trama exibida originalmente em 1988 e optou por manter a vilã viva

Por Alessan Silva
30 de Julho de 2026 às 06:53

Mais de nove meses após o fim do remake de “Vale Tudo”, a autora Manuela Dias comentou uma das principais mudanças no roteiro em relação à trama exibida originalmente, em 1988: o desfecho de Odete Roitman. Em entrevista à Rádio Metrópole, a escritora afirmou que mantê-la viva representou a permanência das estruturas de poder e comemorou a repercussão em torno da história da vilã.

“Por que eu não matei a Odete? Porque a elite não morre. A elite e o poder instituído eles mudam pra continuar igual. É como o capitalismo. Para mim, fez todo o sentido que a Odete ficasse viva”, iniciou Manuela, que explicou o desejo de manter a história em aberto até o fim: “Eu quis oferecer para o público todo o cardápio das possibilidades, mas a elite não morre”.

A autora também celebrou o burburinho provocado pela alteração no enredo: “Entendo a angústia do público com as mudanças. É uma novela icônica, não teria como isso passar e não gerar polêmica. Que bom que virou polêmica, porque a pior coisa é a indiferença. Reclamar não significa não gostar. Reclamar quer dizer se importar. E a novela foi propondo esse jogo. Não faria sentido fazer uma novela toda igual”.

Outra mudança repercutida por Manuela Dias foi a revelação de que Leonardo, filho de Odete, estava vivo e escondido da família. Segundo a autora, a ideia surgiu de repente e foi fundamental para o desempenho da trama: “O Leozinho, filho da Odete… Eu tive essa ideia no meio da noite, eu disse: ‘Ele não morreu’. Isso foi a grande decolada da novela em termos de IBOPE”.

Na adaptação exibida em 2025, Odete Roitman (Debora Bloch) leva um tiro de Marco Aurélio (Alexandre Nero). Todos, inclusive o público, são levados a acreditar que ela está morta. No entanto, flashbacks exibidos no último capítulo revelam que a vilã sobreviveu com a ajuda de Freitas (Luis Lobianco), foi operada em uma clínica clandestina e fugiu do país de helicóptero. Na versão original, exibida em 1988, a personagem vivida por Beatriz Segall é assassinada a tiros, por engano, por Leila (Cássia Kis).

Susana Vieira compara Odete’s Roitman e critica versão de Débora Bloch: “Não imprimia medo”


Susana Vieira comparou as interpretações de Odete Roitman nas duas versões de “Vale Tudo” durante sua participação no “Conversa com Bial”, exibido na última terça-feira (28/7). Para a atriz, a personagem vivida pela colega Débora Bloch no remake de 2025 não transmitiu a mesma sensação de ameaça provocada por Beatriz Segall na novela original, de 1988.

Segundo Susana, a postura naturalmente reservada e imponente de Beatriz ajudava a construir a frieza da vilã. Na avaliação da veterana, Débora precisou recorrer a outros recursos, como mais intensidade e sarcasmo, para dar força à nova versão da personagem.

A artista explicou que Beatriz mantinha uma presença séria e distante, característica que se refletia diretamente em cena. Já a atuação de Débora, embora elogiada em outros aspectos, teria apresentado uma Odete menos assustadora e mais humanizada. “A Beatriz já tinha uma postura de uma pessoa séria, distante, ela como pessoa, até um pouco antipática. Quando entrou a menina no ar – ‘menina’ é ótima porque pra mim essa criançada toda, eu já era velha – ela entrava mas não imprimia o medo que a Beatriz Segall dava. Realmente ela tinha que dar um pouco mais de cor para fazer as coisas”, disse Susana.

A transformação da personagem no remake também dividiu parte do público. Entre os comentários feitos nas redes sociais, espectadores apontaram que a nova Odete ganhou mais humor e demonstrou emoções que não eram tão evidentes na interpretação original.

Durante o programa, Susana também falou sobre sua convivência com Beatriz Segall. Ao descrevê-la como uma pessoa de acesso difícil e mais fechada, acabou sendo contrariada por Lília Cabral, que recordou momentos de proximidade com a atriz.

Lília, que interpretou Aldeíde Candeias na primeira versão de “Vale Tudo”, contou que Beatriz era uma mulher culta, gentil e agradável nos bastidores. Ela reconheceu, porém, que a colega mudava completamente de comportamento ao entrar em cena, adotando a postura rígida exigida pela personagem.

Após ouvir o relato, Susana demonstrou constrangimento e brincou que sua experiência com Beatriz parecia ter sido diferente. Pedro Bial também entrou no clima descontraído e sugeriu, em tom de humor, que a distância poderia ocorrer apenas na relação entre as duas.

Audiência de “Vale Tudo” desmente discurso de Manuela Dias sobre mudanças no remake


A autora Manuela Dias voltou a defender as alterações promovidas no remake de “Vale Tudo” ao afirmar que justamente as mudanças em relação à versão original ajudaram a impulsionar a audiência da novela. Em entrevista à Rádio Metrópole, ela avaliou que a resistência do público fazia parte da experiência proposta pela trama e que as críticas demonstravam envolvimento com a história.

Os números, porém, mostram um cenário mais complexo. Um levantamento feito pelo “Notícias da TV” indica que os maiores saltos de audiência da novela coincidiram, principalmente, com a exibição de acontecimentos já consagrados na versão original ou com fatores externos que beneficiaram a Globo.

Durante todo o mês de junho de 2025, por exemplo, “Vale Tudo” oscilou entre 21 e 22 pontos de média semanal. A primeira reação mais consistente aconteceu apenas em julho, quando a novela voltou a bater seus próprios recordes e ultrapassou a marca dos 25 pontos.

Na ocasião, a trama exibiu uma das sequências mais aguardadas pelo público: Raquel (Taís Araujo) rasgando o vestido de noiva de Maria de Fátima (Bella Campos), cena que já havia se tornado histórica na versão de 1988. Na mesma fase, outro momento clássico também entrou em cena: a revelação de que Leonardo (Guilherme Magon) estava vivo e vinha sendo escondido por Odete Roitman (Debora Bloch), núcleo apontado por Manuela como responsável pela virada da audiência.

O levantamento mostra ainda que o crescimento não pode ser explicado apenas pelas mudanças criadas para o remake. Um fator externo também pesou: o fim de “Força de Mulher”, na Record, fez parte do público migrar para Globo e SBT. Ao mesmo tempo, a estreia da minissérie bíblica “Paulo, O Apóstolo” registrou audiência bem inferior à de sua antecessora, diminuindo a concorrência no horário.

Depois disso, a novela praticamente estabilizou seus índices em um patamar superior. A partir das cenas em que Maria de Fátima tenta interromper a gravidez ao se jogar da escada e é flagrada por Afonso ao lado de César (Cauã Reymond), “Vale Tudo” não voltou mais a registrar médias inferiores a 24 pontos.

Os capítulos mais assistidos da produção também reforçam a tendência. O recorde absoluto aconteceu em 6 de outubro, quando Odete Roitman levou o famoso tiro, alcançando 30,9 pontos. O último capítulo ficou logo atrás, com 30,2. Na sequência aparecem os episódios que repercutiram o atentado contra a vilã, a descoberta de Maria de Fátima sobre Leonardo estar vivo e, mais adiante, a revelação para Heleninha (Paolla Oliveira) de que ela não havia provocado a morte do irmão — todos acontecimentos diretamente ligados a tramas clássicas da obra original.

Ao final da exibição, o remake encerrou sua trajetória com média geral de 23,4 pontos, tornando-se a quinta novela das nove de maior audiência da década, desempenho que nem sua sucessora, “Três Graças”, conseguiu superar.

Assim, embora Manuela Dias sustente que as mudanças tiveram papel importante para atrair o público, os dados levantados indicam que os maiores picos de audiência vieram justamente quando o remake apostou nos momentos mais emblemáticos de “Vale Tudo” — somados a um cenário favorável provocado pela concorrência.

Fonte: Leo Dias

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