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Da Itália aos EUA, influencers enfrentam onda de rejeição em estabelecimentos

E há boas razões para a fúria deles com a categoria

Por Alessan Silva · 3 min de leitura

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Foto: @guachinchecasaaguere/Instagram
Uma placa na porta de uma pizzaria em Catânia, na Sicília, resume em tom de ironia um movimento que vem ganhando força em diferentes países: “Aqui os influencers não podem entrar. Aceitam-se pessoas, não personagens”.

A mensagem da pizzaria L’Evoluzione representa uma crescente rejeição aos influenciadores digitais por parte de restaurantes e outros estabelecimentos. Depois de conquistarem espaço como importantes ferramentas de divulgação, alguns criadores de conteúdo passaram a ser vistos como clientes inconvenientes — principalmente quando esperam consumir gratuitamente em troca de publicações nas redes sociais.

O chef da pizzaria, Lele Scandurra, decidiu proibir influenciadores após uma experiência que considerou abusiva. Segundo ele, um influenciador famoso entrou em contato dizendo que gostaria de conhecer o restaurante. Durante a visita, em um sábado à noite, o criador de conteúdo chegou a pedir sugestões sobre quais pizzas seriam mais “instagramáveis”.

Acompanhado de outra pessoa, ele consumiu pizzas, bebidas e sobremesa. Ao final da refeição, segundo Scandurra, os dois deixaram o estabelecimento sem pagar.

O influenciador teria prometido publicar imagens feitas no restaurante, mas as divulgações também não aconteceram.

“Para mim, isso não é postura. Estávamos nos primeiros meses de abertura, tínhamos muitas despesas e precisávamos faturar”, afirmou o chef.

O episódio acabou ganhando repercussão justamente nas redes sociais, onde a indignação do proprietário viralizou.

A rejeição aos influenciadores também ganhou força na Espanha. Alguns restaurantes passaram a colocar placas informando que criadores de conteúdo não são bem-vindos ou que não oferecem refeições gratuitas em troca de avaliações.

O restaurante de massas Pastifizzio, em Valladolid, adotou uma postura semelhante. O estabelecimento afirmou que prefere avaliações espontâneas e não pretende trocar comida por publicações.

A justificativa é que uma avaliação teria mais credibilidade quando não existe uma relação comercial ou benefício oferecido previamente ao avaliador.

O movimento chegou ainda a restaurantes de alto padrão. O restaurateur britânico Jeremy King anunciou a proibição de influenciadores em seus estabelecimentos após episódios que teriam causado incômodo no The Park, em Londres.

O restaurante acabou se tornando um cenário disputado para fotos e vídeos, fazendo com que a experiência dos clientes e a proposta do estabelecimento ficassem, segundo King, em segundo plano.

A reação não está restrita ao setor gastronômico.  Nos Estados Unidos, a loja de artesanato e antiguidades Four Winds Craft Guild, em Massachusetts, também passou a impedir a entrada de influenciadores.

O estabelecimento teria se incomodado com o uso do espaço como cenário para fotos e vídeos sem que isso representasse retorno significativo para o negócio.

A decisão provocou reações de integrantes da categoria nas redes sociais, mas a loja manteve a proibição.

O movimento evidencia uma mudança na relação entre empresas e influenciadores. Se antes a presença de um criador de conteúdo era vista quase sempre como uma oportunidade de publicidade, alguns estabelecimentos agora preferem preservar a experiência dos clientes e cobrar normalmente pelos serviços oferecidos, sem aceitar a promessa de divulgação como moeda de troca.

Fonte: Blog do Valente

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