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Imagem: Jefferson Bernardes/Shutterstock
Desinteresse do brasileiro pela Copa é o maior da história, diz Datafolha
O desinteresse é mais acentuado entre as mulheres: 62% afirmaram que não pretendem acompanhar os jogos
Por Alessan Silva
24 de Abril de 2026 às 06:53
A menos de dois meses do início da Copa do Mundo, marcada para acontecer nos Estados Unidos, Canadá e México, a competição enfrenta um cenário de desinteresse entre os brasileiros. Com uma seleção que não desperta grande confiança, a maioria da população afirma não ter intenção de acompanhar os jogos do torneio.
De acordo com pesquisa do Datafolha, 54% dos brasileiros dizem não ter interesse em assistir às partidas do Mundial. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Esse é o maior índice de desinteresse da série histórica iniciada em 1994, superando em um ponto percentual o recorde anterior, registrado antes da Copa de 2018, disputada na Rússia. Às vésperas do Mundial do Qatar, em 2022, 51% dos entrevistados afirmavam ter pouco ou nenhum interesse no torneio.
Desinteresse maior entre as mulheres O desinteresse é mais acentuado entre as mulheres: 62% afirmaram que não pretendem acompanhar os jogos, contra 46% entre os homens. Ainda segundo o Datafolha, 31% dos entrevistados declararam que não pretendem assistir às partidas da Copa.
Por outro lado, apenas 17% dos entrevistados afirmaram ter “grande interesse” em acompanhar a Copa do Mundo. Esse é o menor percentual da série histórica, um ponto abaixo do recorde anterior, registrado na edição de 2018. O maior índice foi observado na Copa de 1994, quando 56% dos brasileiros disseram estar muito interessados no torneio.
O desinteresse está diretamente ligado ao momento da Seleção Brasileira, que atravessa uma fase considerada negativa. A equipe teve desempenho abaixo do esperado nas Eliminatórias, encerrando a campanha em posições pouco habituais, além de acumular resultados frustrantes em amistosos recentes.
Além do cenário esportivo, fatores sociais e culturais também influenciam. Entre eles, especialistas apontam o desgaste do chamado “pachequismo”, termo associado ao ufanismo exagerado, além de questões políticas e simbólicas envolvendo a imagem da seleção.
Outro ponto citado é a escolha dos países-sede, Estados Unidos, Canadá e México, que gera resistência em parte do público brasileiro por questões geopolíticas e culturais.
Jovens ainda mantêm interesse
Apesar do cenário geral de apatia, o interesse permanece mais elevado entre os jovens. Nas faixas etárias entre 16 e 34 anos, o entusiasmo varia entre 20% e 24%, indicando que o evento ainda mantém relevância para parte do público.
Por outro lado, até mesmo a venda de ingressos em jogos do torneio apresenta sinais de desaceleração em algumas partidas específicas, refletindo um contexto mais amplo de custos elevados e menor engajamento.
Mesmo com a queda no interesse, a competição segue como um dos maiores eventos esportivos do planeta, com milhões de ingressos já comercializados e expectativa de grande audiência global.
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