.png)
“Meu maior desafio dentro desse projeto [Vale Tudo] foi ter que conviver com uma misoginia internamente. Acho que isso também era o que no começo me deixava travada, essa sensação de abafamento. As pessoas veem o resultado na tela, mas não fazem ideia das coisas que acontecem nos bastidores e o quanto isso pode afetar o resultado. Eu me senti oprimida no começo”, disse a atriz.
“Não pode ser risível um homem levantar o braço no meio de uma gravação e perguntar: ‘Cheira aqui o meu suvaco e vê se eu estou fedendo’. Isso nao pode ser tratado como algo cômico, porque não é. Um homem dizer: ‘Ah, mas você tem cara de que gosta do cheiro de homem’. Isso pra mim não é nada engraçado, mas eram por essas coisas que eu estava passando antes de tudo vir à tona”, continuou.
“Nesse momento eu entendi que não era só sobre mim. Isso me deu uma certa força para continuar fazendo o que eu estava fazendo. Quando eu tomei conta dessa força, eu consegui dar uma força ainda maior para a personagem, a Mari de Fátima. Me fortaleci muito porque entendi que esse movimento que eu estava fazendo não era só sobre o meu bem-estar, era sobre um bem-estar coletivo de várias mulheres”, afirmou.
“Quando várias mulheres me falaram sobre isso, eu fiquei: ‘por que ninguém nunca falou sobre isso?’. Quando vieram os ataques financiados eu entendi, porque o preço que você paga quando abre a sua boca é alto e aí querem que a gente tenha medo de uma porta fechada, de um espaço negado”, analisou.
“Minha porta não está fechada nenhum pouco. Fiquei um pouco chateada com a maneira que as coisas se deram internamente. Solicitei reuniões, mas aí quem tá na cadeira de comando? Homens brancos, que até hoje não entendi qual o pacto tão forte ali entre eles. Não consigo entender”, desabafou a atriz.
Usamos cookies essenciais para o funcionamento do site e cookies não essenciais para análise e melhorias. Você pode aceitar ou recusar o uso de cookies não essenciais.
