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Falta de divisão nas tarefas domésticas diminui libido das mulheres
Estudo nos EUA revelou que a falta de divisão nas tarefas domésticas pode deixar mulheres sobrecarregadas e com libido mais baixa
Por Alessan Silva
08 de Julho de 2026 às 06:55
A frustração com a falta de responsabilidade dos parceiros nas tarefas domésticas é um dilema comum para muitas mulheres. Alguns deles, inclusive, não conseguem ter compreensão com as consequências de deixar a própria parceira sobrecarregada. Segundo um estudo publicado no Journal of Sex Research, a divisão desigual dos afazeres pode até mesmo reduzir o desejo sexual das mulheres.
O levantamento A pesquisa da Universidade do Colorado Boulder, nos Estados Unidos, analisou dois estudos diferentes, com entrevistas de cerca de mil pessoas em relacionamentos heterrossexuais. O primeiro analisou 163 casais na época da pandemia do Covid-19, enquanto o outro entrevistou 617 pessoas em relações após esse período.
“Quando as mulheres adotavam um sexismo menos benevolente, alinhado ao desejo de uma parceria igualitária, e dividiam as tarefas domésticas igualmente com seus parceiros, elas relatavam maior desejo sexual. Mas, quando desejavam um relacionamento igualitário e realizavam mais tarefas domésticas do que seus parceiros, relatavam menor desejo sexual por eles“, comentou Alexandra Liepmann, autora do estudo.
Essa associação, portanto, depende principalmente das expectativas de cada mulher sobre os papéis de gênero. Além disso, de acordo com os autores, outro padrão observado foi que, no caso de homens com a maior parcela de cuidado com os filhos, existia um menor nível de libido — em razão de ser a responsabilidade mais exaustiva, como descrito pelos participantes.
Resultados não mentem Por outro lado, parceiros mais ativos nas tarefas também demonstraram maior desejo pelas companheiras.
Embora não seja uma relação de causa e efeito, os autores ressaltaram que os resultados, de fato, sugerem que uma divisão justa das tarefas pode, sim, afetar a satisfação sexual entre os pares.
Estudo aponta que homens casados fazem menos tarefas domésticas do que solteiros
Embora pareça um estereótipo ultrapassado, a cena do homem relaxando no sofá enquanto a mulher realiza tarefas da casa ainda é comum em lares brasileiros. De acordo com a pesquisa "Outras formas de trabalho", realizada pelo IBGE, o casamento continua alterando (e muito) a forma como homens se envolvem com as atividades domésticas.
Mudanças após o casamento Os dados revelam um contraste expressivo: entre os homens que vivem sozinhos, 92,7% afirmam cozinhar e lavar louça. Já entre os casados, o índice despenca para 58,4%. A mesma tendência aparece em outras tarefas: 88,6% dos solteiros dizem limpar a casa e lavar roupa, mas, após o casamento, o número cai para 49,5%.
Mesmo entre aqueles que não são os principais provedores financeiros da família, a dedicação às tarefas domésticas é baixa. Apenas 57,1% cozinham e lavam louça, e 49,5% se ocupam da faxina.
Mulheres continuam fazendo (quase) tudo Do outro lado, as mulheres seguem sendo o eixo do trabalho doméstico no país. Para elas, casar não significa fazer menos - e sim um pouco mais. Entre as que moram sozinhas, 97,1% cozinham e lavam louça; entre as casadas, o índice sobe para 97,6%.
Na limpeza da casa, a diferença também é pequena, mas significativa: 92,3% das solteiras se dedicam à faxina, contra 93,4% das casadas. Já entre as mulheres que não trabalham fora, o envolvimento é quase total - 97,9% cozinham e 94,4% lavam roupa. Os números escancaram a desigualdade de gênero ainda presente nas rotinas familiares, onde o cuidado com o lar permanece majoritariamente feminino.
Eles preferem compras e reparos Quando participam, os homens tendem a escolher tarefas mais pontuais. Segundo o IBGE, 72% dos homens assumem o papel de fazer compras e pesquisar preços, mas apenas 54% se envolvem com limpeza e cuidados com roupas. Entre as mulheres, 90,9% limpam a casa e cuidam das roupas, enquanto 95,5% cozinham e lavam louça. Essa é uma diferença de 34,7 pontos percentuais em relação aos maridos.
Em números absolutos, isso representa 78,2 milhões de mulheres responsáveis pela cozinha, contra 38,2 milhões de homens - mais que o dobro. A única área em que eles superam as mulheres é a dos pequenos reparos domésticos e manutenção de carros ou eletrodomésticos. Essas atividades, especificamente, costumam ser esporádicas. Nessa categoria, 59,2% dos homens dizem participar, frente a 46,9% das mulheres.
Quando há filhos, a diferença persiste A pesquisa também analisou a divisão do cuidado com os filhos. Constatou-se que, mesmo nas brincadeiras, a presença feminina é predominante. Os pais aparecem com mais frequência nas atividades lúdicas, mas ainda em menor número: 73,7% brincam com os filhos, enquanto 77% das mães fazem o mesmo. Quando o assunto é dar banho, alimentar ou ajudar nas lições de casa, o desequilíbrio cresce. Enquanto 85,6% das mulheres auxiliam nos cuidados pessoais e 72% nas tarefas escolares, entre os homens essas proporções caem para 67% e 60,7%, respectivamente.
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