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Fome ou mau humor? Ciência explica por que você vira outra pessoa de estômago vazio
Estudo mostra que não é só a queda de açúcar no sangue — mas a percepção de que você está com fome (e ignorando isso)
Por Alessan Silva
05 de Maio de 2026 às 06:58
Sabe quando a paciência some, tudo irrita e, de repente, o problema pode ser só… falta de comida? A ciência resolveu olhar mais de perto esse comportamento clássico — o tal do “hangry”, fusão das palavras “hungry”, faminto, e “angry”, bravo — e descobriu que ele é menos automático do que parece.
Um estudo recente publicado na revista The Lancet eBioMedicine indica que não é apenas a queda da glicose que transforma o humor. O fator decisivo é perceber que você está com fome. Sem essa “consciência”, o impacto da baixa energia no humor é bem menor.
Na prática, isso significa que o corpo até manda sinais, mas é o cérebro que interpreta — ou não — o recado. “Em adultos, o estado de irritação ligado à fome é melhor explicado pela percepção consciente desse estado”, explica o neurocientista Nils Kroemer, autor do estudo. Traduzindo: identificar que o mau humor vem da fome já é meio caminho andado para resolver o problema.
O estudo também ajuda a entender por que crianças pequenas parecem “explodir” quando estão com fome. Diferente dos adultos, elas ainda não desenvolveram totalmente essa capacidade de reconhecer e nomear o que estão sentindo.
Mas nem tudo está fechado. Como a pesquisa foi feita com adultos saudáveis, ainda é preciso investigar como esse mecanismo funciona em pessoas com obesidade ou transtornos alimentares. Mesmo assim, especialistas veem o resultado como um avanço importante para entender a relação entre corpo e emoção.
No centro dessa história está um conceito pouco falado fora da ciência: a interocepção — a habilidade de “escutar” o próprio corpo. Quem tem essa percepção mais afinada tende a sofrer menos oscilações de humor. Já quem não identifica os sinais pode acabar descontando o desconforto em outras pessoas — ou em mais comida.
E aqui entra um detalhe curioso: nem toda fome é igual. A chamada fome física aparece aos poucos e aceita qualquer comida. Já a fome emocional chega de repente e costuma vir com desejos bem específicos — normalmente por algo mais calórico e reconfortante.
Algumas estratégias simples ajudam a evitar esse tipo de confusão: prestar atenção nos sinais do corpo antes de ficar irritado, evitar longos períodos sem comer e combinar carboidratos com proteínas e gorduras, o que ajuda a manter a energia estável.
No fim das contas, a ciência só confirmou algo que muita gente já suspeitava na prática: às vezes, o problema não é o mundo ao seu redor — é só hora de fazer um lanche.
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