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“O repertório da Xuxa ultrapassou, há muito tempo, o rótulo de ‘música infantil’ para se consolidar como um fenômeno de memória afetiva e identidade coletiva. O que observamos no comportamento de consumo atual é que a geração que cresceu com seus programas usa a música como um verdadeiro porto seguro e reforço emocional”, aponta Daniel Aguiar, editor sênior de música da Deezer para a América Latina.
“O áudio streaming inverteu a lógica de descoberta musical. Segundo o Luminate Retro Revival Report (2026), ouvintes entre 13 e 24 anos hoje consomem, proporcionalmente, mais músicas lançadas antes do próprio nascimento do que lançamentos do ano. Isso não é um detalhe estatístico, é uma mudança estrutural no comportamento de escuta. Para artistas como a Xuxa, isso significa uma segunda vida real no catálogo. Não acontece porque a plataforma empurra o conteúdo, mas porque o ouvinte vai buscar. As redes sociais e as tendências de vídeos curtos funcionam hoje como grandes vetores de redescoberta, e no app de música é onde essa faísca inicial se converte em consumo recorrente e construção de lealdade”.
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