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Imagem: Divulgação/Globo
Globo encolhe banco de elenco: de 1.500 talentos para apenas 70 exclusivos
Projeto Uma Só Globo acelerou a substituição dos contratos vitalícios pelo modelo por obra e concentrou os exclusivos em um grupo reduzido de artistas
Por Alessan Silva
24 de Julho de 2026 às 06:44
A Globo passou por uma das maiores transformações de sua história nos bastidores da dramaturgia. Se nos anos 1990, auge das novelas e da produção de entretenimento da emissora, o canal mantinha um banco de cerca de 1.500 talentos sob contrato, de acordo com fontes da coluna, hoje esse número gira em torno de 70 artistas com vínculo de exclusividade.
A mudança ganhou força a partir de 2021, com a implantação do projeto Uma Só Globo, que unificou as operações da empresa e acelerou uma profunda revisão dos contratos fixos. O modelo que predominou durante décadas — em que atores permaneciam anos vinculados à emissora, mesmo entre um trabalho e outro — deu lugar ao chamado contrato por obra.
Na prática, a maioria dos artistas agora é contratada apenas pelo período de gravação de uma novela, série ou programa. Terminado o projeto, o vínculo se encerra e o profissional fica livre para negociar com outras plataformas e produtoras.
Essa reformulação também explica por que um pequeno grupo de atores aparece com tanta frequência na programação. Como o número de exclusivos diminuiu drasticamente, artistas como Chay Suede, Cauã Reymond e Agatha Moreira acabam emendando um trabalho no outro. Ao mesmo tempo, por manterem contratos de longo prazo com a emissora, também possuem menos liberdade para recusar projetos quando são escalados.
Nos anos 1990, a realidade era completamente diferente. A Globo reunia um elenco permanente formado por centenas de grandes nomes, entre eles Antônio Fagundes, Glória Pires, Tony Ramos, Adriana Esteves e Susana Vieira. Era comum que atores permanecessem anos recebendo salário fixo, independentemente de estarem ou não no ar.
Hoje, esse privilégio ficou restrito a um grupo bastante seleto. Entre os artistas que continuam com acordos de longo prazo — alguns deles considerados praticamente vitalícios — estão nomes como Tony Ramos, Susana Vieira, Suely Franco e Ary Fontoura, símbolos de uma política de retenção que praticamente deixou de existir.
A estratégia permitiu à Globo reduzir custos e tornar sua operação mais flexível, acompanhando uma tendência adotada pelo mercado audiovisual. Em contrapartida, o antigo banco de elenco, que durante décadas foi uma das principais marcas da emissora, tornou-se uma exceção: o modelo de contratos fixos deu lugar a uma estrutura muito mais enxuta e baseada na demanda de cada produção.
Quais benefícios um contratado CLT da Globo costuma ter?
1.Os contratos variam conforme o cargo e o nível do artista, mas tradicionalmente um funcionário CLT da Globo tem acesso a benefícios como:
Salário mensal fixo (independente de estar gravando ou não)
13º salário
Férias remuneradas + 1/3 constitucional
FGTS
INSS
Plano de saúde premium
Plano odontológico
Seguro de vida
Previdência privada (para parte dos contratos)
Vale-refeição ou alimentação
Refeitórios dos Estúdios Globo
Participação em programas internos de educação e desenvolvimento
Licenças previstas na CLT
Estabilidade contratual durante a vigência do contrato
Além disso, os grandes medalhões costumavam negociar benefícios particulares, como:
motorista
camarim exclusivo
equipe de maquiagem exclusiva
viagens em classe executiva
hospedagem cinco estrelas
ajuda de custo
cláusulas de prioridade para papéis.
Esses "extras" não eram padrão; dependiam do peso do artista.
2.Quem ainda possui contrato fixo com a Globo?
A lista muda constantemente, mas atualmente a Globo mantém um grupo bem menor de artistas exclusivos.
Entre os nomes mais conhecidos estão:
Tony Ramos
Lília Cabral
Susana Vieira
Marcos Palmeira
Renata Sorrah
Paulo Vieira
Tatá Werneck
Luciano Huck
Ana Maria Braga
William Bonner
Renata Vasconcellos
Pedro Bial
No jornalismo e no esporte ainda existe um número maior de contratos CLT do que na dramaturgia. Hoje, a maior parte dos atores trabalha por contrato de obra, válido apenas durante uma novela ou série.
3. Qual foi o maior contrato da história da Globo?
Nunca houve divulgação oficial dos valores, mas especialistas em televisão apontam alguns dos maiores contratos já assinados.
1º — Fausto Silva (Domingão)
É considerado o maior contrato já pago pela Globo. Estimativas divulgadas pela imprensa especializada indicavam:
salário fixo entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões por mês
participação em merchandising
percentual sobre ações comerciais
Somando tudo, algumas estimativas apontavam ganhos superiores a R$ 8 milhões mensais no auge.
Luciano Huck: Após renovar e assumir o Domingão, estimativas entre R$ 3,5 e R$ 5 milhões/mês, incluindo publicidade.
Ana Maria Braga: No auge, cerca de R$ 2 a R$ 3 milhões/mês considerando merchandising.
Galvão Bueno: Antes de deixar a Globo, estimativas entre R$ 2,5 e R$ 4 milhões/mês, incluindo ações comerciais.
William Bonner: É apontado como um dos jornalistas mais bem remunerados da televisão brasileira. Estimativas de mercado falam em aproximadamente R$ 1 milhão por mês.
ROBERTO CARLOS O caso do Roberto Carlos sempre foi diferente de qualquer outro artista da Globo. Na prática, ele nunca foi um "funcionário comum" da emissora. Seu vínculo era um contrato artístico de exclusividade, renovado periodicamente, centrado principalmente no tradicional Especial de Fim de Ano.
Como funcionava o contrato?
Durante décadas, o acordo previa:
Exclusividade na TV aberta (ele não participava de programas de emissoras concorrentes).
Produção do Especial Roberto Carlos todos os anos.
Divulgação dos shows e projetos pela Globo.
Participações em programas especiais da emissora.
Toda a produção, cenografia, banda, transmissão e equipe técnica ficavam por conta da Globo.
Na prática, Roberto Carlos trabalhava muito pouco para a emissora ao longo do ano. O principal compromisso era gravar o especial de dezembro, além de algumas participações pontuais.
Quanto ele recebia?
A Globo nunca divulgou os valores oficialmente. As estimativas da imprensa especializada variam conforme o período:
Entre 2020 e 2024, o mercado estimava um contrato de cerca de R$ 10 milhões por ano.
Em 2025, durante as negociações para renovação, veículos especializados passaram a estimar um novo acordo em torno de R$ 12 milhões anuais, mantendo os especiais de fim de ano até 2027.
Esse valor equivale a aproximadamente: R$ 1 milhão por mês, embora o pagamento normalmente faça parte de um contrato anual de prestação artística.
Por que a Globo sempre manteve esse contrato?
Mesmo com custos elevados, o especial do Roberto Carlos sempre foi visto como um investimento estratégico porque:
é uma tradição desde 1974;
costuma atrair grandes patrocinadores;
historicamente entrega boa audiência no fim do ano;
fortalece a marca da programação de Natal da emissora.
Em 2025, o contrato chegou ao fim e houve um período de negociação, mas as partes chegaram a um novo acordo para manter a parceria e preservar o tradicional especial de fim de ano.
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